quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A Tradição Apostólica


Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de S. Basílio Magno (Séc. V d.C.)

Entre as verdades conservadas e anunciadas na Igreja, umas nós as recebemos por escrito e outras nos foram transmitidas nos mistérios, pela Tradição apostólica. Ambas as formas são igualmente válidas relativamente à piedade. Ninguém que tiver, pouco que seja, experiência das instituições eclesiásticas, há de contradizer.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A Imaculada Conceição


Do Catecismo da Igreja Católica

Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria "foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão". O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como "cheia de graça"
Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.
Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, "cumulada de graça" por Deus, tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, procla­mado em 1854 pelo Papa Pio IX:
"Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição".
Este esplendor de uma "santidade de todo singular", com que foi "enriquecida desde o primeiro instante da sua conceição", vem-lhe totalmente de Cristo: foi "remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho". Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a "encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo" (Ef 1, 3). "N'Ele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença" (Ef 1, 4).
Os Padres da tradição oriental chamam ã Mãe de Deus "a toda santa" ("Panaghia"), celebram-na como "imune de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura". Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.

(n. 490-3)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Igreja indispensável


Por Thomas E. Woods Jr

Philip Jenkins, renomado professor de história e estudos religiosos da Pennsylvania State University, chamou ao anti‐catolicismo "o último preconceito aceitável nos Estados Unidos". É difícil contestar esse juízo: nos nossos meios de comunicação e na nossa cultura popular, pouca coisa é inadmissível quando se trata de ridicularizar ou de satirizar a Igreja. Os meus alunos, quando têm alguma noção a respeito dela, só sabem reclamar a sua pretensa "corrupção", sobre a qual ouviram intermináveis histórias de duvidosa credibilidade dos seus professores do ensino médio.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O preceito da correção fraterna


Por S. Tomás de Aquino

A correção fraterna subordina-se ao preceito. A razão disso é que somos obrigados pelo preceito a amar ao próximo. O amor, contudo, inclui em si que o homem deseje o bem para aquele que ama. Amar alguém, pois, é isto: desejar-lhe o bem, como diz o Filósofo [Aristóteles], no livro II da Metafísica. E porque o estar isento do mal tem a razão do bem, como se diz no livro V da Ética, disso resulta que essa razão pertence à do amor, de modo que também desejamos que as coisas más não se encontrem naqueles que amamos. A vontade, contudo, não é eficaz, nem verdadeira, se não se comprovar com a ação. Por este motivo, também, pertence à razão do amor que levemos as coisas boas aos amigos e que afastemos deles as más, como se diz no livro IX da Ética. E em 1Jo 3,18, diz- se: Não amemos com palavras nem com a língua, mas com as ações e em verdade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Viktor Frankl e a liberdade espiritual frente ao ambiente externo

Do livro Em busca de sentido,
de Viktor Frankl

A experiência na vida no campo de concentração mostrou-nos que a pessoa pode muito bem agir “fora do esquema”. Há suficientes exemplos, muitos deles heroicos, que demonstraram ser possível superar a apatia e reprimir a irritação; e que continua existindo, portanto, um resquício de liberdade do espirito humano, de atitude livre do Eu frente ao meio ambiente, mesmo nessa situação de coação aparentemente absoluta, tanto exterior como interior. Quem dos que passaram pelo campo de concentração não saberia falar daquelas figuras humanas que caminhavam pela área de formatura dos prisioneiros, ou de barracão em barracão, dando aqui uma palavra de carinho, entregando ali a última lasca de pão?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Eucaristia e indissolubilidade do Matrimônio


Da Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis,
do Papa Bento XVI (n. 29)

Se a Eucaristia exprime a irreversibilidade do amor de Deus em Cristo pela sua Igreja, compreende-se por que motivo a mesma implique, relativamente ao sacramento do Matrimônio, aquela indissolubilidade a que todo o amor verdadeiro não pode deixar de anelar.(1) Por isso, é mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo (2) reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrimônio, se divorciaram e contraíram novas núpcias.

sábado, 21 de novembro de 2015

Subimos até Deus por meio do Filho


Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de São Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja

Por ele, contudo, é que vem às almas toda espécie de auxílio. A cada uma das formas de sua particular solicitude corresponde determinada denominação. Quando se une a uma alma irrepreensível, sem ruga, nem mancha (Ef 5,27), qual virgem pura, recebe o nome de esposo. Quando acolhe uma alma ferida pelos golpes malignos do diabo, e ele a cura da grave doença dos pecados, denomina-se médico. Tais cuidados para conosco nos induziriam à baixeza de pensamentos?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Igreja obscurantista? A Inquisição e o caso Galileu


Todos aprendemos na escola e nos meios de comunicação que a Igreja católica foi, e ainda é em muitos aspectos, obscurantista e atrasada. É uma ideia que se fixou no senso comum das pessoas e que foi alimentada por séculos por inimigos da Igreja desde a Reforma Protestante, passando pelo Iluminismo e pelas ideologias científicas do século XIX. No entanto, o que pouca gente sabe é que os historiadores cada vez mais acreditam menos nessa ideias e as relegam ao conceito de "lendas negras". 
Diante disso, o Instituto Bento XVI, em seu objetivo de promover a Catequese Católica e a formação cultural e intelectual, estará promovendo o nosso primeiro curso com o tema "Igreja obscurantista? A Inquisição e o caso Galileu". Nosso palestrante será o professor Álvaro Queiroz, historiador, filósofo, teólogo, pesquisador, pós-graduado em Geo-história, professor de História da Igreja e diversas disciplinas no CESMAC, no IFAL e no Seminário de Maceió. O Professor Álvaro é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e autor de diversos livros.
O curso acontecerá nos dias 05 e 12 de dezembro no Auditório da Paróquia Divino Espírito Santo, localizada no bairro da Jatiúca. As inscrições serão feitas no local ao custo de R$ 2,00 ou um quilo de alimento não perecível.
Participe! Venha conhecer um pouco da história da Igreja e descobrir como os professores de História nos enganaram! Mais informações pelo email: institutobento16@gmail.com.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A beleza desconhecida do Direito Canônico: o sacramento do matrimônio (I)


Por Mario Jorge Ferreira de Lima



Introdução

Conforme prometemos na última publicação, continuamos hoje os nossos estudos acerca do Direito Canônico. Iniciaremos uma série de artigos apresentando os vários cânones (normas) que disciplinam os elementos essenciais que validam o sacramento matrimonial. Descobriremos aqui curiosidades interessantes e informações sublimes sobre o sacramento que é a encarnação concreta do amor entre Cristo e a Igreja. (Ef. 5, 1ss). 
Antes de tudo, devo alertar a você, querido leitor, mister se faz compreender os elementos teológicos do matrimônio para, somente após esse estudo, nos debruçarmos sobre as normas canônicas que tratam dele. Entretanto o nosso espaço neste blog não nos permite aprofundarmo-nos em tal aspecto. Contudo, quem desejar adiantar algo sobre o tema, indico a leitura do Catecismo da Igreja Católica do número 1601 até o número 1666. Dito isso, adentremos ao belo mundo do Direito Canônico Matrimonial. Espero que gostem. Abraços.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Os nomes do Filho


Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de S. Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja 


Quando o Apóstolo dá graças a Deus por Jesus Cristo (Rm1,8) e ainda diz ter recebido por ele a graça e a missão de pregar às nações para que obedeçam à fé, ou também que teve acesso por Cristo a essa graça em que fomos estabelecidos e da qual nos gloriamos, revela-nos a bondade para conosco daquele que ora nos transmite da parte do Pai a graça dos benefícios e ora nos introduz por seu intermédio junto do Pai. Ao declarar: “por quem recebemos a graça e a missão de pregar” (Rm 1,5), Paulo revela a origem da distribuição dos bens; e ao afirmar: “por quem tivemos acesso” (Rm 5,2), mostra que nossa elevação e nossa familiaridade com Deus se realizaram por Cristo. Por acaso, confessar que a graça em nós atua por ele seria diminuir a glória de Cristo?