segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O preceito da correção fraterna


Por S. Tomás de Aquino

A correção fraterna subordina-se ao preceito. A razão disso é que somos obrigados pelo preceito a amar ao próximo. O amor, contudo, inclui em si que o homem deseje o bem para aquele que ama. Amar alguém, pois, é isto: desejar-lhe o bem, como diz o Filósofo [Aristóteles], no livro II da Metafísica. E porque o estar isento do mal tem a razão do bem, como se diz no livro V da Ética, disso resulta que essa razão pertence à do amor, de modo que também desejamos que as coisas más não se encontrem naqueles que amamos. A vontade, contudo, não é eficaz, nem verdadeira, se não se comprovar com a ação. Por este motivo, também, pertence à razão do amor que levemos as coisas boas aos amigos e que afastemos deles as más, como se diz no livro IX da Ética. E em 1Jo 3,18, diz- se: Não amemos com palavras nem com a língua, mas com as ações e em verdade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Viktor Frankl e a liberdade espiritual frente ao ambiente externo

Do livro Em busca de sentido,
de Viktor Frankl

A experiência na vida no campo de concentração mostrou-nos que a pessoa pode muito bem agir “fora do esquema”. Há suficientes exemplos, muitos deles heroicos, que demonstraram ser possível superar a apatia e reprimir a irritação; e que continua existindo, portanto, um resquício de liberdade do espirito humano, de atitude livre do Eu frente ao meio ambiente, mesmo nessa situação de coação aparentemente absoluta, tanto exterior como interior. Quem dos que passaram pelo campo de concentração não saberia falar daquelas figuras humanas que caminhavam pela área de formatura dos prisioneiros, ou de barracão em barracão, dando aqui uma palavra de carinho, entregando ali a última lasca de pão?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Eucaristia e indissolubilidade do Matrimônio


Da Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis,
do Papa Bento XVI (n. 29)

Se a Eucaristia exprime a irreversibilidade do amor de Deus em Cristo pela sua Igreja, compreende-se por que motivo a mesma implique, relativamente ao sacramento do Matrimônio, aquela indissolubilidade a que todo o amor verdadeiro não pode deixar de anelar.(1) Por isso, é mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo (2) reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrimônio, se divorciaram e contraíram novas núpcias.

sábado, 21 de novembro de 2015

Subimos até Deus por meio do Filho


Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de São Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja

Por ele, contudo, é que vem às almas toda espécie de auxílio. A cada uma das formas de sua particular solicitude corresponde determinada denominação. Quando se une a uma alma irrepreensível, sem ruga, nem mancha (Ef 5,27), qual virgem pura, recebe o nome de esposo. Quando acolhe uma alma ferida pelos golpes malignos do diabo, e ele a cura da grave doença dos pecados, denomina-se médico. Tais cuidados para conosco nos induziriam à baixeza de pensamentos?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Igreja obscurantista? A Inquisição e o caso Galileu


Todos aprendemos na escola e nos meios de comunicação que a Igreja católica foi, e ainda é em muitos aspectos, obscurantista e atrasada. É uma ideia que se fixou no senso comum das pessoas e que foi alimentada por séculos por inimigos da Igreja desde a Reforma Protestante, passando pelo Iluminismo e pelas ideologias científicas do século XIX. No entanto, o que pouca gente sabe é que os historiadores cada vez mais acreditam menos nessa ideias e as relegam ao conceito de "lendas negras". 
Diante disso, o Instituto Bento XVI, em seu objetivo de promover a Catequese Católica e a formação cultural e intelectual, estará promovendo o nosso primeiro curso com o tema "Igreja obscurantista? A Inquisição e o caso Galileu". Nosso palestrante será o professor Álvaro Queiroz, historiador, filósofo, teólogo, pesquisador, pós-graduado em Geo-história, professor de História da Igreja e diversas disciplinas no CESMAC, no IFAL e no Seminário de Maceió. O Professor Álvaro é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e autor de diversos livros.
O curso acontecerá nos dias 05 e 12 de dezembro no Auditório da Paróquia Divino Espírito Santo, localizada no bairro da Jatiúca. As inscrições serão feitas no local ao custo de R$ 2,00 ou um quilo de alimento não perecível.
Participe! Venha conhecer um pouco da história da Igreja e descobrir como os professores de História nos enganaram! Mais informações pelo email: institutobento16@gmail.com.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A beleza desconhecida do Direito Canônico: o sacramento do matrimônio (I)


Por Mario Jorge Ferreira de Lima



Introdução

Conforme prometemos na última publicação, continuamos hoje os nossos estudos acerca do Direito Canônico. Iniciaremos uma série de artigos apresentando os vários cânones (normas) que disciplinam os elementos essenciais que validam o sacramento matrimonial. Descobriremos aqui curiosidades interessantes e informações sublimes sobre o sacramento que é a encarnação concreta do amor entre Cristo e a Igreja. (Ef. 5, 1ss). 
Antes de tudo, devo alertar a você, querido leitor, mister se faz compreender os elementos teológicos do matrimônio para, somente após esse estudo, nos debruçarmos sobre as normas canônicas que tratam dele. Entretanto o nosso espaço neste blog não nos permite aprofundarmo-nos em tal aspecto. Contudo, quem desejar adiantar algo sobre o tema, indico a leitura do Catecismo da Igreja Católica do número 1601 até o número 1666. Dito isso, adentremos ao belo mundo do Direito Canônico Matrimonial. Espero que gostem. Abraços.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Os nomes do Filho


Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de S. Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja 


Quando o Apóstolo dá graças a Deus por Jesus Cristo (Rm1,8) e ainda diz ter recebido por ele a graça e a missão de pregar às nações para que obedeçam à fé, ou também que teve acesso por Cristo a essa graça em que fomos estabelecidos e da qual nos gloriamos, revela-nos a bondade para conosco daquele que ora nos transmite da parte do Pai a graça dos benefícios e ora nos introduz por seu intermédio junto do Pai. Ao declarar: “por quem recebemos a graça e a missão de pregar” (Rm 1,5), Paulo revela a origem da distribuição dos bens; e ao afirmar: “por quem tivemos acesso” (Rm 5,2), mostra que nossa elevação e nossa familiaridade com Deus se realizaram por Cristo. Por acaso, confessar que a graça em nós atua por ele seria diminuir a glória de Cristo?

domingo, 15 de novembro de 2015

Origem do termo contemplação na Tradição Cristã


Jesus durante a sua vida preocupou-se em ensinar principalmente ao povo judeu (1); somente após sua ressurreição mandou que seus apóstolos pregassem o Evangelho a todas as nações (2). Apesar disso o Evangelho de São João narra um encontro entre Jesus e alguns gentios, provavelmente gregos, de passagem por Jerusalém por ocasião da festa da Páscoa, que manifestaram aos apóstolos seu desejo de ouvirem falar a Jesus; Jesus concordou, mas o Evangelho não narra o sucedido depois do encontro (3).
Depois da ressurreição do Cristo, a primeira pregação do apóstolo Paulo em território grego, no Areópago de Atenas, não correu conforme a expectativa. O discurso foi interrompido, e enquanto uma parte dos ouvintes zombava do apóstolo, outros, mais educados, diziam que um dia qualquer talvez estivessem dispostos a ouvir o restante (4).
Ao que parece, S. Paulo não guardou uma boa impressão dos gregos. Mais tarde, ao escrever a Epístola aos Coríntios, assim se expressou sobre os gregos:

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

"Meu corpo, minhas regras". Ponderações sobre uma mentira


D. Henrique Soares da Costa

Deu e está dando o que falar o vídeo com atores da Rede Globo fazendo apologia do abortamento.
O vídeo é inteligente... e diabólico.
Funda-se basicamente numa mentira: que o embrião é parte do corpo da mulher. O embrião é humano, é um ser humano a caminho, com tudo de humano já ali potencialmente presente. Ou é humano e em processo de humanização, ou não o será nunca!
Somos todos humanos, estamos todos em processo de humanização!
Se não é a concepção que nos determina como humanos, o que determina? As nossas regras? As regras da mãe?

domingo, 8 de novembro de 2015

Dificuldades do ingresso na vida intelectual


Por Gilton Lima

A cultura da ignorância no Brasil dificulta o caminho para aqueles que desejam algo a mais, os quais sempre terão que buscar formação por sua própria conta. E não poderia ser de forma diferente. Passando por sofrimentos psicológicos e inibições sociais, o normal na terra dos anormais labuta de forma vital pela formação de uma mente sã e capacitada para a vida madura. As grandes mentes são forjadas por essa dor, pela coragem de não se submeterem ao que vem de fora e perseverar no que acreditam. Nesse contexto, perseguições totalitárias sempre lapidaram mentes brilhantes, pois esse sofrimento de preservação da inteligência faz com que o ser humano se aproxime de Deus e da realidade.

sábado, 7 de novembro de 2015

A caridade não consiste em sentimentos, mas em obras


Da Autobiografia de Sta. Teresa do Menino Jesus

Há na comunidade uma Irmã que tem o dom de me desagradar em todas as coisas. Suas maneiras, suas palavras, seu caráter me pareciam muito desagradáveis, no entanto, é uma santa religiosa que deve ser muito agradável ao Bom Deus. Assim, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, pensei comigo que a caridade não devia consistir em sentimentos, mas em obras. Apliquei-me, então, a fazer por esta Irmã o que teria feito pela pessoa mais amada. Cada vez que a encontrava, rezava por ela ao Bom Deus, oferecendo-lhe todas as suas virtudes e méritos. Percebia muito bem que isto agradava Jesus, pois não há artista que não goste de receber elogios por suas obras, e Jesus, o Artista das almas, alegra-se quando não nos detemos nos exterior, mas penetrando até o íntimo santuário que escolheu por morada, admiramos sua beleza. Não me dava por satisfeita em rezar muito pela Irmã que me causava tantos combates, procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis e, quando tinha a tentação de responder-lhe com maus modos, contentava-me com dar-lhe o meu mais amável sorriso e tentava desviar a conversa, pois diz a Imitação: É melhor deixar cada um com seus sentimentos do que se pôr a contestar.
Muitas vezes também, quando não estava no recreio (quero dizer durante as horas de trabalho), tendo algumas relações por causa de ofício com esta Irmã e sendo meus combates por demais violentos, fugia tal qual um desertor. Como ignorasse absolutamente o que sentia por ela, nunca suspeitou dos motivos de minha conduta, e continua persuadida de que seu caráter me é agradável. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras, com um ar muito contente: “Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai em mim? Cada vez que olhais, vos vejo sorrir...” Ah! O que atraía era Jesus escondido no fundo de sua alma... Jesus, que torna doce o que há de mais amargo... Respondi-lhe que sorria, porque ficava contente de vê-la (bem entendido, não acrescentei que era do ponto de vista espiritual).


Manuscritos Autobiográficos. Manuscrito “C”, parágrafo 292. In: Obras completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 193.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A Amizade com Cristo



Por Bento XVI

«Já não sois servos, mas amigos» (cf. Jo 15, 15). O que é verdadeiramente a amizade? Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas: diziam os antigos. A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: «Conheço os meus e os meus conhecem-Me» (cf. Jo 10, 14). O Pastor chama os seus pelo nome (cf. Jo 10, 3). Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anônimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio. A amizade não é apenas conhecimento; é sobretudo comunhão do querer. Significa que a minha vontade cresce rumo ao «sim» da adesão à d’Ele. De fato, a sua vontade não é uma vontade externa e alheia a mim mesmo, à qual mais ou menos voluntariamente me submeto ou então nem sequer me submeto. Não! Na amizade, a minha vontade, crescendo, une-se à d’Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo. Além da comunhão de pensamento e de vontade, o Senhor menciona um terceiro e novo elemento: Ele dá a sua vida por nós (cf. Jo 15,13; 10, 15). Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai-me a tornar-me sempre mais vosso amigo! 

Homilia do dia 29 de junho de 2011

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A beleza desconhecida do Direito Canônico


Por Mario Jorge Ferreira de Lima

A partir de hoje, aqui neste blog, toda semana, trataremos do tema "Direito Canônico". Um assunto instigante e complexo que reflete toda a riqueza e complexidade da Igreja Católica enquanto Instituição humana, já que a Igreja Triunfante não precisa de Leis Canônicas, fundada por Cristo. Assim, estudaremos as origens, transformações e cânones (normas) do Ordenamento Jurídico da Igreja de Cristo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A Felicidade última do homem consiste na contemplação de Deus


Por S. Tomás de Aquino

Se, pois, a felicidade última do homem não consiste nas coisas exteriores ditas bens da fortuna, nem nos bens corpóreos, nem nos bens da parte sensitiva da alma, nem na parte intelectiva referente às virtudes morais, nem nas virtudes intelectuais ativas, a saber, na prudência e na arte; de tudo isso resulta que a felicidade última do homem está na contemplação da verdade. Aliás, essa é a única atividade própria do homem, e dela de nenhum modo outro animal participa. Esta atividade não se ordena a coisa alguma como fim, porque a contemplação da verdade é procurada por si mesma. Por esta operação o homem se une por semelhança ao seres superiores, porque, entre as atividades humanas, ela é a única que se encontra em Deus e nas substâncias separadas. Por ela, também o homem se aproxima dos entes superiores, conhecendo-os de algum modo. Ademais, o homem é mais que suficiente em si mesmo para realizar esta atividade, porque, para tal, muito pouco precisa das coisas exteriores. Finalmente, é visível que as demais operações humanas para ela se dirigem como para o fim. Com efeito, para a perfeita contemplação é necessária a incolumidade corpórea, e para esta se ordenam todos os utensílios necessários à vida. Também requer a contemplação a tranquilidade sem as perturbações passionais, à qual se chega pelas virtudes morais e pela prudência, bem como a tranquilidade que afasta as perturbações exteriores, para a qual se ordena todo o regime da vida social.
E assim, vendo-se bem a realidade, verifica-se que todas as atividades humanas servem à contemplação da verdade
Porém, é impossível que a felicidade última do homem consista na contemplação que tem por objeto a inteligência dos princípios. Esta, por ser universal ao extremo, é imperfeitíssima, e contém em potência o conhecimento das coisas. E, ainda, é o princípio e não o fim do trabalho intelectual, que nos vem da própria natureza e não do trabalho intelectual que busca a verdade. Nem é também a contemplação que tem por objeto a ciência das coisas inferiores, porque a felicidade deve estar em uma operação do intelecto que se refira aos inteligíveis mais elevados. Resulta, pois, que a felicidade última do homem consiste na contemplação da sabedoria, cujo objeto são as coisas divinas.
Depreende-se daí também que, considerando-se por indução o que acima foi provado por dedução, a última felicidade do homem não consiste senão na contemplação de Deus.

Summa contra Gentiles, III, 37.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A gravidade do pecado mortal como ofensa a Deus


Côn. Josep Antoni Arnautó

Considera algumas circunstâncias de teus pecados para conhecer mais a sua gravidade. Quando pecavas, nem que fosse no meio da noite ou no lugar o mais afastado, ali estava Deus presente, e à Sua vista cometias aquela maldade. Que desacato e atrevimento! Na presença de um rei, de um bispo, de um sacerdote, não cometerias tal maldade, e a cometes na presença de Deus, ó suma vergonha! Mais: quando pecavas, tinhas de fazer alguma ação e, para executá-la, necessitavas da ajuda de Deus, o qual, como causa universal, era obrigado a servir-te na maldade, do que se queixa por um profeta. Que desacato mais horrendo! Poderá haver maior? Quando pecavas, estava lá Deus em seu infinito poder e não necessitava senão querer para tirar-te naquele mesmo instante a vida e passar-te do pecado em ato ao inferno, como aconteceu a outros, onde estarias queimando sem apelo e, ainda crendo nesta verdade, ias adiante, cometendo o pecado mortal. Que atrevimento! Digas, pecador: isso não é insultar a Deus? Ah, infeliz! Perdeste o temor de Deus, mas não por isso: se Ele não te levou antes, pode fazer neste momento caso não te arrependas imediatamente e lhe peças perdão com a mais viva dor e arrependimento.

Oração

Meu Deus, se grande é a minha culpa, maior é a vossa misericórdia em conservar-me a vida quando tão infamemente insultava e provocava vossa justiça pecando em Vossa Presença. Fazei, Senhor, que meu coração seja possuído pelo Vosso santo temor para que possa arrepender-me com grande dor.


Manual de piadosas meditacions, 1835, p. 80-81.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Orlando di Lasso - Missa pro defunctis


A vida não é tirada, mas transformada

É nosso dever e salvação
Dar-vos graças, sempre em todo o lugar,
Senhor, Pai santo, 
Deus eterno e todo-poderoso,
Por Cristo, Senhor nosso.
Nele brilhou para nós
A esperança da feliz ressurreição.
E, aos que a certeza da morte entristece,
A promessa da imortalidade consola.
Senhor, para os que crêem em vós,
A vida não é tirada, mas transformada.
E, desfeito o nosso corpo mortal,
Nos é dado, nos céus, um corpo imperecível.
E, enquanto esperamos a realização de vossas promessas,
Com os anjos e com todos os santos,
Nós vos aclamamos,
Cantando a uma só voz:
Santo, Santo, Santo...


Prefácio I dos Fieis Defuntos

Os mortos não estão dormindo



Dom Henrique Soares da Costa, bispo de Palmares-PE


Gostaria de saber se, quando morremos, ficamos dormindo até o Dia do julgamento. (Luiza Melo) 

Primeiramente recomendo que você leia os textos “Escatologia – Sobre o fim do mundo”. Lá está tudo explicado detalhadamente. Em todo caso, aqui vai uma resposta resumida.
No Antigo Testamento, antes da vinda do Cristo,
pensava-se que quem morria ficava no sheol (mansão dos mortos), à espera da Vinda do Senhor, quando se dariam a Ressurreição dos mortos e o Juízo Final. Até lá, o sheol era igual para todo mundo, bons e maus: era o reino da morte para todos! Os mortos ficavam numa situação de espera até à consumação final. Aos poucos, porém, foi nascendo a idéia de que, mesmo no sheol, havia diferença entre os bons e os maus; basta pensar na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro: os dois estão no sheol (no seio de Abraão), mas um está feliz enquanto o outro pena (cf. Lc 16,19-26). Em resumo: segundo os textos mais antigos do Antigo Testamento, os mortos ficavam “dormindo” no sheol até a ressurreição final, quando o Messias viesse; nos textos mais recentes, os judeus já não pensavam que os mortos ficavam dormindo, mas num estado de espera, bom para os justos e tormentoso para os maus, até que o Messias viesse para o julgamento definitivo.
No Novo Testamento, com a chegada do Messias, tudo muda!

domingo, 1 de novembro de 2015

Educação Liberal


EDUCAÇÃO LIBERAL

Por Olavo de Carvalho

Agradeço comovido as palavras do deputado Carlos Dias e da minha querida amiga Mina Seinfeld 1. E, aliás, essa é não somente uma oportunidade para ela falar a meu respeito, mas para contar também algumas coisas a respeito dela. A professora Mina está envolvida numa luta que é paralela à minha, onde encontra condições muito parecidas. Nós dois estamos envolvidos na luta contra as drogas, apenas a espécie de droga é que muda: sobre as drogas de que ela trata, ainda há a discussão de se serão liberadas ou não, ao passo que as drogas de que falo, não apenas estão liberadas, como são obrigatórias. A diferença é mais ou menos esta. Mas, neste esforço monumental e meritório da professora Mina, ela encontra a mesma resistência que encontro na minha área, porque todos estão contra: os drogados, os traficantes, os que têm interesse político na coisa, os indiferentes e todos aqueles que querem parecer bonzinhos - todos os politicamente corretos. E, de fato, quando você vai para um debate é exatamente como ela descreveu: são trinta pessoas para falar a favor e uma contra e depois, na transcrição, ainda cortam umas frases do que a pessoa falou e ficam lá somente três linhas, para provar que o debate foi bastante democrático. Isto é pior do que não ter debate nenhum, é uma falsificação.
Agradeço muito a meus alunos essa iniciativa. A idéia foi inteiramente deles, que têm um grande mérito em fazer isto, abrir a outras pessoas a mesma oportunidade. Nosso curso aqui no Rio tem sido quase que confidencial. Creio que existe aqui há dezoito anos e nunca foi anunciado nem avisado; continua existindo, não sei como. Em São Paulo há toda uma infra-estrutura montada, o número de alunos é bem grande, e no Paraná são cento e cinqüenta alunos. É um pouco estranho que aqui no Rio de Janeiro, que ainda é a capital cultural do Brasil, nosso curso seja tão secreto assim. Não me incomodo se dou aula para um, dois ou cem alunos: o problema é exatamente o mesmo. Ademais, esse tipo de ensino requer muito tempo para dar frutos. Calculo mais ou menos dois anos, para a pessoa começar a perceber o que está mudando em sua vida, no seu enfoque existencial.
Agora, o tema de hoje, que é a educação liberal, é mais abrangente do que a proposta do meu curso; o curso é uma das modalidades, um dos capítulos do que chamaríamos de educação liberal.