Do Tratado sobre o Espírito Santo,
de São Basílio Magno, bispo e doutor da Igreja
Por ele, contudo, é que vem às almas toda espécie de auxílio. A cada uma das formas de sua particular solicitude corresponde determinada denominação. Quando se une a uma alma irrepreensível, sem ruga, nem mancha (Ef 5,27), qual virgem pura, recebe o nome de esposo. Quando acolhe uma alma ferida pelos golpes malignos do diabo, e ele a cura da grave doença dos pecados, denomina-se médico. Tais cuidados para conosco nos induziriam à baixeza de pensamentos?
Ou, ao contrário, despertariam nossa admiração diante do grande poder e imenso amor para com os homens de nosso Salvador, que aceitou compadecer-se de nossas fraquezas (Tt 3,4 e Hb 4,15), e quis descer até nossa pobre condição. Efetivamente, nem o céu, nem a terra, nem a imensidão dos mares, nem os que povoam as águas, nem os animais terrestres, as plantas, os astros, o ar, as estações, e o variegado ornamento do universo, nada disso comprova tanto a virtude de Cristo, que lhe tornou possível, a ela que é Deus, o infinito impassivelmente ser enlaçado por meio da carne na morte, a fim de nos conceder, por sua própria paixão, a impassibilidade. Se o Apóstolo pôde assegurar: "Em tudo isto somos mais que vencedores, por aquele que nos amou" (Rm 8,37), não está insinuando por meio de tais palavras um humilde serviço, e sim um socorro atuante no vigor de sua forma. Ele ligou o forte (Mt 12,29), roubou-lhe os instrumentos, a saber, nós mesmos, de quem o forte havia abusado através de toda espécie de obras más, e transformou-nos em instrumentos úteis ao Senhor, preparados para toda obra boa, por disposição livre de nossa parte. Assim por ele temos acesso ao Pai, ao passarmos do poder das trevas à parte da herança dos santos na luz (Cl 1,12). Por isso, não consideremos como serviço forçado, próprio de escravo em sua condição humilhante, o plano (oiconomia) determinado pelo Filho; ao contrário, a solicitude voluntária relativamente à obra de suas mãos origina-se da bondade e misericórdia, segundo a vontade de Deus Pai. Desta forma, permaneceremos na prática da piedade, dando testemunho em tudo do perfeito poder do Filho, que jamais se aparta da vontade do Pai. Igualmente, se damos ao Senhor o nome de caminho, erguemo-nos a uma concepção mais elevada do que a comum. Esta consistiria no contínuo e bem ordenado progresso para a perfeição, por meio das obras justas e da iluminação do conhecimento; de fato, sempre vamos avante, tendendo para o que resta na frente (Fl 3,13), indo ao encontro do fim bem-aventurado, o conhecimento de Deus. O Senhor o concede, por si mesmo, aos que nele acreditaram. É nosso Senhor realmente ótimo caminho, certo e sem desvios. Conduz ao bem verdadeiro, ao Pai. Conforme ele mesmo disse: "Ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). Por conseguinte, subimos até Deus por meio do Filho.
Ou, ao contrário, despertariam nossa admiração diante do grande poder e imenso amor para com os homens de nosso Salvador, que aceitou compadecer-se de nossas fraquezas (Tt 3,4 e Hb 4,15), e quis descer até nossa pobre condição. Efetivamente, nem o céu, nem a terra, nem a imensidão dos mares, nem os que povoam as águas, nem os animais terrestres, as plantas, os astros, o ar, as estações, e o variegado ornamento do universo, nada disso comprova tanto a virtude de Cristo, que lhe tornou possível, a ela que é Deus, o infinito impassivelmente ser enlaçado por meio da carne na morte, a fim de nos conceder, por sua própria paixão, a impassibilidade. Se o Apóstolo pôde assegurar: "Em tudo isto somos mais que vencedores, por aquele que nos amou" (Rm 8,37), não está insinuando por meio de tais palavras um humilde serviço, e sim um socorro atuante no vigor de sua forma. Ele ligou o forte (Mt 12,29), roubou-lhe os instrumentos, a saber, nós mesmos, de quem o forte havia abusado através de toda espécie de obras más, e transformou-nos em instrumentos úteis ao Senhor, preparados para toda obra boa, por disposição livre de nossa parte. Assim por ele temos acesso ao Pai, ao passarmos do poder das trevas à parte da herança dos santos na luz (Cl 1,12). Por isso, não consideremos como serviço forçado, próprio de escravo em sua condição humilhante, o plano (oiconomia) determinado pelo Filho; ao contrário, a solicitude voluntária relativamente à obra de suas mãos origina-se da bondade e misericórdia, segundo a vontade de Deus Pai. Desta forma, permaneceremos na prática da piedade, dando testemunho em tudo do perfeito poder do Filho, que jamais se aparta da vontade do Pai. Igualmente, se damos ao Senhor o nome de caminho, erguemo-nos a uma concepção mais elevada do que a comum. Esta consistiria no contínuo e bem ordenado progresso para a perfeição, por meio das obras justas e da iluminação do conhecimento; de fato, sempre vamos avante, tendendo para o que resta na frente (Fl 3,13), indo ao encontro do fim bem-aventurado, o conhecimento de Deus. O Senhor o concede, por si mesmo, aos que nele acreditaram. É nosso Senhor realmente ótimo caminho, certo e sem desvios. Conduz ao bem verdadeiro, ao Pai. Conforme ele mesmo disse: "Ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). Por conseguinte, subimos até Deus por meio do Filho.
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